15 de março de 2008

...Ela chega aqui perguntando onde estão todos , muitas vezes me tirando a paciência , tem no rosto rugas que traçam todo o seu passado sofrido de uma família desustruturada , sua infância na bolívia vivida num abrigo , longe de sua irmã gêmea e do resto dos irmãos . Sabe pouco sobre seu pai , sobre sua mãe conhece só a rigidiz e o trabalho dela de colocar mais gente no mundo. Mais tarde com 16 anos retorna , e da cidade vai pro mato , passando a maior parte dos dias sozinha com sua primeira filha , dos outros 5 que viriam , sozinha porque o homem com quem casara trabalhava durante todo o dia. Na época dela se casava cedo. O lugar era no meio do nada , não havia vizinhos ela lembra de uma criatura que rodeava a casa , não sabe definir ''parecia um macaco , morria de medo cada vez que ele aparecia '' . ''Meu deus, eu sofri demais , minha filha , não era fácil '' (...)

Dessa mulher sei , por que pergunto muito , minha curiosidade é imensa.
Foi ela quem me ensinou a fazer arroz e é com ela que sei mais sobre minha mãe , ela me diz que devo estudar e ser mais do que todos , porque minha mãe batalhou demais , '' ela ia doente pra aula , a pé na lama , não faltava de jeito nenhum '' . Ela me faz segurar o choro toda vez que conversamos .
Ela é a Maria José , a dona Lélé , a minha avó.
'' ahh é '' , ''justamente '' , ''pois é''.

Um comentário:

dá pitaco